Loteria?

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A gente vive com tanta pressa e tão conectados, que as fronteiras do mundo passam despercebidas na maior parte do tempo. Perdemos a noção do nosso tamanho em relação ao planeta.

Mas às vezes cai uma ficha.

Eu estava passeando de carro há alguns dias, quando de repente passamos por um trecho de São Paulo cheio de casas, prédios, enfim, muito populoso. Vi aquele local de longe e fiquei pensando em quantas cidades existem no mundo. Quantas ruas, quantas casas, quantas famílias…

Por que será que eu nasci nessa casa, rodeada por essas pessoas?

Dá até uma culpa. Porque me sinto sortuda demais de, dentre tantas possibilidade, ter caído no convívio de pessoas tão incríveis e por até hoje ter conhecido seres humanos tão cheios de amor.

Por quê?

Por que aquela pessoa que nasceu numa comunidade miserável lá no recanto de algum país africano não nasceu aqui?

Foto: MorgueFile.com

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Sobre a fé – (em nós mesmos)

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Outra dia assisti a um filme, em que um menininho contava uma piada:

Um homem estava se afogando. Passa um barco e os marinheiros lhe jogam uma boia. “Não, obrigado, Deus vai me salvar!”. O barco vai embora. Dali a pouco, surge outro barco e seus ocupantes tentam novamente ajudá-lo, em vão: “Deus vai me salvar!”. E o segundo barco também segue seu rumo. Não muito depois, o homem enfim morre afogado. Chegando ao céu, ao encontrar-se com Deus, lhe pergunta: “Deus, por que você não me salvou?”. Ele responde: “eu te mandei dois barcos, seu idiota!”.

Achei a historinha engraçada e espirituosa. Passou.

Então, algumas semanas depois, alguns acontecimentos fizeram com que ela voltasse à minha memória.

Por que o ser humano adora depositar o destino de sua vida nas mãos de uma suposta divindade?

Muitos estudos revelam que quem tem fé vive mais. E acho ótimo uma pessoa confiar numa energia superior. De certa forma isso é tranquilizador.

Mas, pra mim, o problema está em quando você joga toda a responsabilidade da sua vida nessa força externa.

Exemplo: a pessoa está desempregada, louca para arrumar um emprego. Decide acender uma vela de 7 dias para algum santo milagroso. E passa 80% do tempo livre no sofá, assistindo à TV e esperando o milagre bater em sua porta.

O ser humano faz isso demasiadamente.

É fácil pedir. Difícil é correr atrás.

Então, se você quer alguma coisa, qualquer coisa, faça por onde. Acenda sua vela e vá à luta.

Foto: MorgueFile.com

Pra você, mamys.

Tem pessoas que são essenciais pra fazer a engrenagem desse mundo rodar. Você é uma delas, mamys. Pelo menos pro meu mundo girar.

Mãe é um ser realmente único na nossa vida. A minha existência na Terra começou quando eu estava dentro de você. Não é muito louco pensar isso? Eu estive dentro do seu corpo e nós éramos conectadas por um cordão mágico da natureza.

Quando eu saí, esse cordão foi cortado, mas só literalmente, porque essa ligação dura pra sempre.

Hoje, em mais um aniversário seu, eu fico pensando em como você é única em milhares de aspectos maravilhosos. Acho bom nomear alguns:

Você imita o Barney, dos Flintstones (sério, que mãe faz isso?). Do nada você sai pulando de lado/correndo pela casa, como uma criança. Você passa talco TODOS OS DIAS (!). Parece uma criança quando está arrumando suas coisas pra uma viagem. Faz o MELHOR BRIGADEIRO do mundo. Não consegue mandar uma mensagem eletrônica sem adicionar uma carinha (e não é qualquer carinha, sempre procura algo relativo à mensagem). É controlada e segura pra muitas coisas, mas boba alegre pra tantas outras. Às vezes me faz voltar no tempo, quando me coloca na cama e brinca com algum bichinho. Tem uma das risadas mais gostosas (só a Luísa te supera nessa). Tem um dom especial com crianças. Um dia será a avó mais enxuta que se tem conhecimento. Às vezes lança um “whatever” no meio de uma frase. Sua adoração por arrumar a casa é equivalente à minha adoração por chocolate (coisa de louco isso aí). Tem dedos mágicos pra cafuné. Praticamente não sente frio (seu lado super-heroína). E muitas coisas mais que fazem de você a melhor mãe que eu poderia sonhar em ter.

Juro que ela completou 55 anos!

Juro que ela completou 55 anos!

Eu penso nisso tudo e aí chega alguém e diz que somos muito parecidas. Quer elogio melhor? Se eu puder completar 55 anos do jeito que você completa hoje, serei mais do que realizada.

E eu lembro quando, há muitos anos, fui escovar os dentes enquanto você escovava os seus e fiquei olhando nosso reflexo. Como nosso rosto é parecido, nosso corpo, nosso jeito, nossos gostos, e como eu amo isso. E como eu te amo. E como eu quero que o mundo e a vida sejam eternos para sempre te ter ao meu lado.

Parabéns, mamys. Te amo!

A morte no Facebook

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Já reparou em como o ser humano lida com a morte nas redes sociais? É esquisito. Exemplo: um jovem na casa dos 20 anos sofre um acidente e deixa esse mundo. A notícia começa a se espalhar pelo Facebook até que chega a você. Apesar de nunca ter visto aquela pessoa, você fica curioso e entra no perfil do garoto. Lá, encontra centenas de mensagens de pessoas lamentando a partida dele. São recados breves, de pessoas ainda surpresas com o acontecido, e outros muito longos, que relembram momentos vividos entre colegas, amigos e familiares.

Toda vez que eu entro na página de alguém que acabou de morrer (não é nada frequente, devem ter sido umas três vezes – mas o suficiente para causar essa impressão), fico olhando a foto de perfil da pessoa e não dá pra imaginar aquele ser sem vida.

O álbum de fotos mostra um vida em movimento. Poxa, ele saiu pra comer japonês ontem. Faz só 15 horas que ele postou essa foto do amanhecer. Como pode hoje ele não existir mais? Quando no nosso mundo todos estão conectados a qualquer momento, perder essa comunicação parece um peso ainda maior.

E eu não consigo parar de pensar que as pessoas que deixam comentários nessas páginas estão fazendo aquilo para elas mesmas, porque quem partiu não poderá saber como era querido. Não que isso seja ruim. Cada um lida com a dor do jeito que for melhor. Mas talvez isso sirva para chamar atenção para como deveríamos deixar mais comentários desse tipo quando as pessoas estão vivas.

Ninguém imagina que o outro vá morrer de repente, mas é bom a gente não deixar nada engasgado e compartilhar todo o amor possível antes que seja tarde.

Por fim, eu fico pensando em quem fica incumbido de entrar e apagar esse perfil depois de um tempo. Será que a pessoa passa por cada foto, por cada comentário, tentando colher um fragmento extra de quem se foi? Deve dar um aperto danado ter que deletar mais alguma faceta de quem partiu.

A foto é daqui.

A felicidade é uma escolha

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Outro dia, entrevistei uma palestrante motivacional (Leila Navarro) que, entre outros assuntos, me apresentou um conceito interessante da “felicidade”. Para ela, a felicidade é uma escolha de todos – isso parece até óbvio quando paramos pra pensar – mas aí é que está. A gente não pensa nisso com frequência.

Pra mim, essa história de escolher ser feliz significa uma atitude e uma postura positiva, em todos nós.

Isso também parece muito com algo que ouvi há um tempo durante uma aula de yoga. Minha professora disse: “você é responsável pela sua energia”. Essa frase causou um impacto muito forte em mim. Desde então, levo essa ideia comigo e acredito que vou encará-la como um mantra até o fim da vida.

O significado é muito simples. Você é responsável pela sua energia, pelo seu humor, pelo seu bem-estar. Então não culpe os outros ou situações aleatórias por suas reações. Alguns exemplos práticos: você acorda e, quando vai tomar café, derruba a xícara e a quebra no chão. Isso já é o suficiente para acabar com o dia de muita gente. Mas foi você que derrubou a xícara! E mesmo que tivesse sido outra pessoa – já aconteceu, é apenas uma louça quebrada, não deixe que esse pequeno momento da rotina comprometa toda sua energia.

Ou então uma pessoa está irritada e você diz que também ficou assim por culpa dela. Não é verdade. Você ficou irritado porque deu abertura para absorver esse comportamento.

Claro que não é fácil manter-se positivo sempre. Já cheguei em alguns lugares me sentindo leve e harmonizada, mas encontrei pessoas nervosas e com o astral lá embaixo. Parece que isso contamina o ambiente, mas, se você mantiver na sua cabeça que é responsável pela sua energia, isso não vai te abalar. (funciona mesmo, sério!)

E também não acho que somos seres de outro mundo que sorriem o dia todo e nunca sofrem. A tristeza faz parte da nossa vida e da nossa evolução – mas o estresse contínuo não. Encarar os problemas e depois entender tudo que isso pode ter trazido de aprendizado também é uma forma de renovar sua luz. Sempre temos muito a agradecer – e é isso que deve tomar mais espaço em nossa mente e coração.

Fotossíntese não é suficiente

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Você assiste em um filme ou em uma novela àquela cena em que uma pessoa rega plantas e, durante esse processo, conversa com as queridas folhinhas. Coisa típica de filme da Xuxa, né?!

Em outro filme, a garota compara a capacidade de um cidadão cuidar de um vaso da “samambaia do amor” com a futura habilidade dele em proteger uma criança. Analogia bizarra, não é?!

Ou não.

Meus pais foram viajar – uma semana fora. Eu fiquei encarregada de manter as plantas vivas. Não são poucas. Cerca de oito vasos, sendo que dois deles abrigam duas plantas enormes, que já estão dando a volta na varanda. O orgulho do papai.

Eu já havia cuidado dessas companheiras em outras ocasiões. Mas é a primeira vez que recebi essa incumbência durante o VERÃO. Malandro, fotossíntese não é o suficiente pra segurar essas queridinhas.

A instrução foi: molhe as plantas a cada dois dias. Você as rega, borrifa água nas folhas e, no dia seguinte, as bichinhas já estão caídas, sofrendo, parece que choram. E você sente PENA. Rega-as novamente e se pega conversando: “tá tudo bem, você já vai se refrescar”. Xuxa mode on.

Passam mais dois dias e você percebe que precisa ir lá cuidar das plantas, mas está atrasada com o trabalho. Oh, dúvida cruel. O que priorizar? E o pensamento é automático: não tenho capacidade para cuidar de outro ser vivo agora. Samambaia do amor is on the house.

Claro que um bebê é completamente diferente de uma planta, mas todos esses clichês da jardinagem realmente são reais. Incrível como esses serzinhos conseguem viver por conta própria em outros locais, em seus habitats. Como “invadimos” o espaço dessa natureza, realmente cabe a nós proporcionar o ambiente de seus antepassados. E com direito a monólogo.

Agora tchau, que a arruda tá meio caidinha.

Em vez de sonhar com a grama do vizinho, experimente regar a sua

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O ser humano tem certa mania de se comparar com os outros. Mas algumas pessoas prestam tanta atenção na vida alheia, que acabam não aproveitando a própria.

Isso acontece bastante em relacionamentos. A menina namora, mas acha que o casal de amigos é mais feliz ou que a colega solteira aproveita mais a vida. Ela está no décimo namorado, mas nunca dá certo, e pensa: “por que eu ainda não encontrei o que os outros têm?”.

De repente ela realmente ainda não encontrou a pessoa que a fará mais feliz. Mas muitas vezes se preocupa tanto em comparar o relacionamento com o dos outros, que acaba não notando o essencial: nenhum casal é perfeito.

Penso que uma relação deve sempre ter uma balança desregulada: os pontos positivos devem ser bem maiores do que os negativos. Se o peso do seu relacionamento está com déficit, é o momento de repensar.

Mas nunca se engane pensando que dá pra ser perfeito. Não existe perfeito, simplesmente porque um relacionamento é entre pessoas. E pessoas são diferentes em gostos, vontades, religiões, cultura, comportamento e uma infinidade de quesitos.

A graça do amor está aí – em se adaptar, conhecer o novo, ceder de vez em quando e aprender a viver sua individualidade junto com outra pessoa. Mas isso não cai do céu. Não acredito que um relacionamento precise de esforço ou de sofrimento. Não tem que ser difícil. Mas com certeza acontecerão momentos em que você precisará refletir, mudar ou bater o pé. Isso acontece com todo mundo.

As pessoas não saem por aí contando que brigaram com o parceiro na semana passada, até porque não interessa a ninguém. Então não pense que a vida dos outros é perfeita e só você sofre. Em vez disso, olhe para a pessoa ao seu lado e pense: eu gosto dela? Ela me faz feliz? O que não me agrada? Como posso melhorar? E vá em frente. Se não com o atual, com o próximo.

E pense no seu relacionamento realmente como uma balança. Só você precisa saber quanto pesa e qual o momento de fazer uma mudança na dieta – sem olhar para o vizinho.